Genetic Code
Prólogo
O homem caminhava entre as estantes. Procurava um documento importante. Estava muito escuro, era difícil ler as legendas das inúmeras gavetas. Chegava ao final do corredor e ainda não o tinha encontrado. Não poderia demorar muito, logo o primeiro turno chegaria para trabalhar no local. Quase gritou de alegria quando leu em uma gaveta: “PMC”.
– Achei! – Sussurrou.
Abriu a gaveta devagar para não fazer muito barulho. Ouviu ruídos vindos do corredor. Sentiu todo o seu corpo arrepiar, teria que se apressar. Correu os olhos entre os documentos. Precisava encontrar a pasta principal. Ouviu a porta se abrindo. Achou o que procurava, retirou da gaveta e a fechou com cuidado. As luzes se acenderam. Pessoas conversando. Ele suava frio. Saiu correndo, tentando ir o mais rápido e silenciosamente o possível. Estava chegando do outro lado do corredor. Arriscou olhar para trás. Viu dois homens aparecendo do outro lado no momento em que contornava a estante. Eles estavam distraídos. Não o viram.Olhou para a parede a sua frente. A pequena grade da ventilação tinha se fechado. Revirou sua maleta procurando a chave e a encaixou em uma fenda da grade. Fez força para abri-la e quando conseguiu ela rangeu alarmantemente. Tudo ficou em silêncio. Ouviu os homens falando:
– O que foi? – perguntou um deles.
– Achei ter ouvido alguma coisa – respondeu o outro.
– Não tem mais ninguém aqui.
– É, não deve ter sido nada.
O homem suspirou aliviado. Entrou devagar pelo duto de ventilação. Fechou a grade com cuidado, e começou a engatinhar pelo corredor estreito. Já estava com dor nas costas por causa daquela situação desconfortável. Mais alguns minutos e estava do lado de fora do prédio. Não conseguia entender o porquê dos prédios terem um duto de ventilação que possibilitasse uma invasão como aquela, mas no momento agradecia esse fato. Entrou em seu carro que estava estacionado do outro lado da avenida, e dirigiu em direção de sua casa.
Não podia esperar para analisar a sua nova aquisição.
(Felipe Andrade)